Votorantim abre ao público trilhas de bike em um paraíso de mata atlântica em SP

Por Erika Sallum

Um paraíso natural encravado no sul do Estado de São Paulo pode agora ser desbravado de mountain bike. Do tamanho da cidade de Curitiba (PR) e dez vezes a extensão da Floresta da Tijuca (RJ), o Legado das Águas é a maior reserva privada de mata atlântica do Brasil — com 75% de sua área de 31.000 hectares totalmente intocada. De propriedade da Votorantim, que adquiriu essas terras no Vale do Ribeira entre os anos de 1920 e 1950, a reserva começou a receber visitantes há algumas semanas, ainda de forma tímida, porém com planos a curto prazo de ampliar as atrações para quem quer conhecê-la melhor.

Trilhas de terra batida cercadas por muita mata atlântica dão o tom do passeio de bike (Foto: Erika Sallum)

Mais que apenas um treino “diferente”, pedalar ali é ter a honra de ver de perto todo o esplendor desse bioma. As trilhas se dão em sua maioria em estradas abertas de terra batida, porém vale muito o esforço de ir até lá, mesmo que não haja grandes desafios esportivos técnicos. Até agora, foram disponibilizados ao público seis percursos, que vão de um sossegado passeio de 8,4 km (e 225 metros de ascensão) a exigentes 78 km (e 1.620 metros de ascensão). Pelo caminho, o ciclista pode admirar a paisagem exuberante, molhar os pés nas águas do Rio Juquiá ou tirar fotos das imensas barragens.

No Legado das Águas, existem no total sete represas, construídas pela Votorantim para gerar energia e ajudar na produção de alumínio. Na época (algo impensável nos dias atuais!), o grupo comprou praticamente toda a bacia hidrográfica do rio Juquiá, para assim garantir a disponibilidade hídrica. Com o passar dos anos, a propriedade privada acabou ajudando a proteger a área, que equivale a 1,5% do que restou de mata atlântica no Brasil. “Queremos fazer daqui um modelo de área protegida privada, onde podemos organizar atividades que gerem receitas, sem depender de investidores externos”, diz David Canassa, diretor da Reservas Votorantim.

Onça parda fotografada recentemente no Legado das Águas (Foto: Luciano Candisani)

Além de mountain bike, é possível fazer passeios a pé para observar fauna e flora e remar de caiaque ou andar de barco a motor pelo Juquiá. A administração da reserva terceirizou os serviços: os roteiros de bike são operados pela Velo Vert (contato velovertbr@hotmail.com), os de canoa pela Canoar (www.canoar.com.br) e os trekkings pela Sustentar (www.sustentarma.com.br). Para visitar o Legado das Águas, é preciso entrar em contato com essas operadoras, que organizam grupos de até 20 pessoas. Ainda não há alojamentos — tomara que sejam abertos logo, pois um só dia na reserva é muito pouco.

Passeios para observar a flora e os pássaros também estão no roteiro (Foto: Divulgação)

Os números do Legado das Águas impressionam: há ali 20.000 espécies vegetais, 80 espécies de serpentes, 111 espécies de aves endêmicas da mata atlântica (e 27 ameaçadas), 120 espécies de orquídeas, 42 espécies de mamíferos, 1.080 espécies de anfíbios e 773 répteis! Cachoeiras, como a Dezembro de Cima, são outras maravilhosas atrações.

A infraestrutura da reserva ainda está sendo finalizada, mas já há um espaço honesto para receber os visitantes, com vestiários (simples), local para refeições e informações.

Ana albina, uma raridade que também mora na reserva da Votorantim (Foto: Luciano Candisani)

PERCURSOS DE BIKE
(1) Da sede até Barra: 8,4 km (225 metros de ascensão)
(2) Da sede até Porto Raso: 24,4 km (642 metros de ascensão)
(3) Da sede até Ribeirão das Antas: 36,4 km (849 metros de ascensão)
(4) Da sede até Dezembro: 38,8 km (1.031 metros de ascensão)
(5) Da sede até Gruta do Alecrim: 51,3 km (1.371 metros de ascensão)
(6) Da sede até Serraria: 78 km (1.620 metros de ascensão)

SERVIÇO:
www.legadodasaguas.com.br
> Bike: velovertbr@hotmail.com
> Canoa: www.canoar.com.br
> Observação de pássaros: www.sustentarma.com.br