Com o ‘rock star’ Peter Sagan, Tour de France e o ciclismo em geral ganham novo fôlego

Por Erika Sallum

No dia 1º de julho, começa a 104ª edição do Tour de France, uma eletrizante competição de ciclismo de estrada de 3.540 km e 21 etapas que percorrerá 34 departamentos da França e outros três países (Alemanha, Bélgica e Luxemburgo). Estarão na disputa 198 dos melhores ciclistas do planeta, divididos em 22 equipes. Ainda é cedo para fazer apostas sobre o vencedor, porém um fato já é certo: ninguém atrairá mais a atenção dos 2.000 jornalistas e fotógrafos presentes, muito menos dos cerca de 10 milhões de espectadores espalhados pelas estradas francesas, do que Peter Sagan.

Aos 27 anos, esse eslovaco se tornou o novo rosto do ciclismo mundial, ajudando a renovar um esporte profundamente abatido depois dos escândalos de doping que destruíram a fama do norte-americano Lance Armstrong e jogaram a modalidade em uma crise nunca antes vista. Publicações renomadas não especializadas em ciclismo, como a revista Outside e o jornal The Wall Street Journal, já publicaram longos perfis sobre o atleta — denominado pelo WSJ como “o rock star” da bike.

O eslovaco Peter Sagan veste a camisa de líder do Tour de France 2016 (Foto: Specialized/Jim Fryer)

Bonitão, com pinta de Alain Delon, charme de Brad Pitt e madeixas aloiradas à la Gisele Bundchen, Sagan possui todas as características de um superastro — e não tem desperdiçado uma chance sequer em sua carreira que só faz se agigantar nos últimos anos. Em 2015 e 2016, consagrou-se campeão mundial de ciclismo de estrada. Desde 2007, ninguém vestia dois anos seguidos a jersey de listas arco-íris de world champion.

Um dos sprintistas mais magníficos de sua geração, conquistou até hoje cinco vezes consecutivas a camisa verde de melhor velocista do Tour de France. Como seu forte não são as montanhas, é pouco provável que um dia ele vença uma Grande Volta, como são chamadas as competições de muitas etapas e altimetria altíssima como o Tour de France e o Giro d’Italia — onde quem brilha mesmo são ciclistas escaladores franzinos e leves, como o britânico Chris Froome, campeão do Tour em 2016. Mas isso, na verdade, pouco importa para que Sagan dê seu show particular, com ataques surpresas, descidas velozes e manobras “zoeira” para alegrar o público, com direito a empinadas de bike nas horas menos prováveis.

Suas madeixas ilustram campanhas publicitárias, como da marca de óculos 100% (Foto: Divulgação)

A galera vai ao delírio com as peraltices de Sagan. No ano passado, na última etapa do Tour de France, na Champs-Élysées, em Paris, não era o nome de Froome que a multidão berrava. “Sagan! Sagan!”, gritavam crianças e seus pais, em um dia ensolarado de julho. Era ele o rei do Tour, mesmo sem pisar no lugar máximo do pódio. Desde os tempos do belga Eddy Merckx, que dominou as estradas entre os anos 1960 e 1970, não se via uma unanimidade assim.

O superastro da bike estampa capas de revista mundo afora (Foto: Reprodução)

Mas é também fora da bike que o eslovaco arrebata ainda mais os fãs. Com forte sotaque quando dá entrevistas (raras) em inglês, não curte falar muito com jornalistas, mas faz a festa dos admiradores em suas redes sociais. Já dançou coreografia de Grease – Nos Tempos da Brilhantina com a mulher (veja aqui), fez vídeos subindo de bike até o teto de um carro, protagoniza campanhas cinematográficas de sua patrocinadora Specialized (como esta recente aqui) e conseguiu surpreender a todos na linha de chegada do Tour de Suisse deste ano, comemorando a vitória num estilão Neymar, com jogadinhas de braços, como mostra o vídeo a seguir:

Por essas e outras, Peter Sagan virou ídolo, entre os mais vendáveis do ciclismo. Na Europa, está em comerciais de TV, estrelando campanhas até de fornos. Na Eslováquia, teve inclusive peça de teatro contando sua vida, e seu rosto também virou selo dos correios. Os objetos que celebram seu nome estão se tornando cobiçados itens de colecionador. Há muitos anos não se via no mundo da bike um cara tão bom e divertido como ele. O ciclismo e seus patrocinadores agradecem. E o Tour de France fica, assim, ainda mais imperdível.

Canecas, camisetas e até selo na Eslováquia celebram Peter Sagan (Foto: Reprodução)