Novo guia de cicloturismo desbrava as belezas do sul do Brasil

Por Erika Sallum

Durante anos, nós, brasileiros, tínhamos pouquíssimo material disponível com informações realmente úteis para quem quisesse viajar o país de bike. Mas, convenhamos, eram raros os que se aventuravam a subir em uma bicicleta, carregando todas as suas coisas e enfrentando estradas e lugares mais isolados. Felizmente isso mudou: há cada vez mais gente descobrindo os prazeres de cicloviajar. Por isso é mais que bem-vindo o Guia de Cicloturismo Circuitos do Sul, que os experientes cicloviajantes paulistas Antonio Olinto Ferreira, 50, e Rafaela Asprino, 42, lançam agora. São 224 páginas com dicas de 33 cidades, incluindo 46 mapas, 82 planilhas e 57 gráficos de perfil altimétrico para quem quer conhecer os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – alguns dos que possuem a maior infraestrutura do país para receber ciclistas.

Serra do Corvo Branco, que abrange os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Foto: Rafaela Asprino)

Olinto e Rafaela têm uma longa trajetória de viagens de bicicleta pelo Brasil e muitos outros países. Seu mais novo guia começa em Lapa, no Paraná, e segue até Gramado, no Rio Grande do Sul. Na obra, estão informações valiosas para percorrer roteiros já consagrados, como o Circuito das Araucárias e o Vale Europeu.

No total, o livro oferece 1.348 km de caminhos planilhados, com roteiros variados para quem quer desfrutar apenas de um final de semana ou até se lançar em uma longa viagem – como a que passa por todos os famosos circuitos já existentes, totalizando 2.340km de percurso. Literalmente uma mão na roda para quem ama curtir o Brasil da forma mais legal que existe: pedalando!

Trajeto para São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul (Foto: Rafaela Asprino)

A seguir, uma conversa rápida com Olinto e Rafaela sobre seu novo guia:

O Brasil passou anos com pouquíssimo material sobre cicloturismo. Vocês acham que agora nós, brasileiros, estamos mais propensos a encarar as estradas de bike para conhecer nosso país? 
O Brasil é excelente para o cicloturismo. É uma terra de pessoas amáveis, hospitaleiras e carinhosas — o ideal para quem viaja de bike. Porém o problema do nosso país é cultural: valorizamos o carro. Por isso sempre investimos na produção de livros sobre cicloturismo, que consideramos a melhor ferramenta para mudar essa cultura focava em veículos automotores. Mas, sim, estamos mudando, abrindo mais espaço para a bicicleta e outras formas de se viajar.

Por que viajar de bike é tão mais legal que qualquer outro meio de transporte?
A bike tem uma velocidade natural, uma baita vantagem para muitas pessoas que querem, pelo menos em suas férias, desacelerar. Além disso, o cicloturismo é saudável, pode ser muito barato, leva à auto-reflexão e ainda abre as portas para novas realidades e pessoas.

Em regiões ainda pouco exploradas do Brasil pelo cicloturismo, como Norte e Nordeste, há muitas aventuras ainda a serem descobertas?
Sim. A ideia do nosso projeto é traçar uma linha mestre para ligar o país de Norte a Sul. Por isso nossos guias têm “mão dupla” (com planilhas de ida e volta), promovendo uma verdadeira integração. Atualmente já contamos com seis guias, com mais de 5.000 km planilhados em seis Estados brasileiros, do Rio Grande do Sul até o norte de Minas Gerais.

Quais os próximos guias que vocês vão lançar?
Em nosso próximo guia, pretendemos esticar a linha dos percursos até o Nordeste, de Diamantina (MG) à região da Chapada Diamantina (BA).

O casal fez uma série de vídeos durante o mapeamento para o guia. Assista ao primeiro capítulo:

MAPA DO TRAJETO DO GUIA DE CICLOTURISMO CIRCUITOS DO SUL: